Pentágono diz que destruiu quartel-geral da Guarda Revolucionária
"O ramo iraniano da Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC) matou mais de mil americanos nos últimos 47 anos. Ontem, um ataque em grande escala dos EUA decapitou a serpente. Os Estados Unidos possuem as forças armadas mais poderosas à face da Terra, e a IRGC já não tem um quartel-general", declarou o CENTCOM na rede social X.
O presidente norte-americano, Donald Trump, disse no domingo que as forças armadas norte-americanas estavam a afundar a Marinha do Irão, destruindo nove navios de guerra iranianos até à data e "indo atrás dos restantes".The Iranian Islamic Revolutionary Guard Corps (IRGC) killed more than 1,000 Americans over the past 47 years. Yesterday, a large-scale U.S. strike cut off the head of the snake. America has the most powerful military on earth, and the IRGC no longer has a headquarters. pic.twitter.com/WdpN7JBECr
— U.S. Central Command (@CENTCOM) March 1, 2026
"Acabei de ser informado de que destruímos e afundámos nove navios iranianos, alguns deles relativamente grandes e importantes. Estamos à caça dos restantes. Em breve, também estarão a flutuar no fundo do mar! Num ataque separado, destruímos grande parte do seu quartel-general naval", escreveu.
"Fora isso, a Marinha deles está muito bem!" acrescentou.
Trump fez o anúncio numa publicação nas redes sociais, enquanto o Pentágono intensificava os seus bombardeamentos contra as forças armadas iranianas, enviando bombardeiros furtivos B-2 dos EUA para atacar instalações subterrâneas fortificadas de mísseis iranianos com bombas de 907 kg (2.000 libras).
Guerra no Médio Oriente. Que líderes iranianos morreram nos ataques de Israel e EUA?
O ataque de sábado contra Teerão decapitou grande parte da liderança iraniana, a começar pelo próprio ayatollah Ali Khamenei, o Líder Supremo que supervisionava todos os órgãos de poder político, militar, religioso e judicial.
A televisão estatal iraniana adiantou também que o chefe do Estado-Maior das Forças Armadas, Abdolrahim Moussavi, foi morto juntamente com outros generais de alta patente e com o ministro iraniano da Defesa, o general Aziz Nasirzadeh.
O chefe da Guarda Revolucionária, Mohammad Pakpour, e Ali Shamkhani, conselheiro do Líder Supremo e secretário do Conselho de Defesa, também morreram nos ataques de sábado, adiantou a televisão do país.
De acordo com a emissora, foram mortos “durante uma reunião do Conselho de Defesa”.
Presidente do Irão entre 2005 e 2013, Mahmoud Ahmadinejad terá morrido nos ataques coordenados entre Israel e Estados Unidos que visaram a sua residência em Narnak, no nordeste de Teerão. Vários guarda-costas também morreram, segundo informou a mesma agência.
Ao início da manhã, o secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional, Ali Larijani, anunciava que o processo de transição do poder após a morte de Khamenei havia começado “de imediato” e que assumiria funções “um conselho de direção provisório”.
Larijani adiantou que este conselho será composto pelo Presidente do país, Masud Pezeshkian, o chefe do poder judicial, Golamhosein Mohseni Eye, e ainda um jurista do Conselho dos Guardiães, cujo nome foi entretanto anunciado: o ayatollah Alireza Arafi.
Os três líderes “assumirão a responsabilidade” até à designação do próximo ayatollah. Larijani, responsável do Conselho Supremo de Segurança Nacional, alertou ainda para o perigo de divisões internas no poder após o ataque.
O ayatollah Alireza Arafi tem 66 anos e é membro clérigo do Conselho dos Guardiães. Assume atualmente funções como presidente do Centro de Gestão dos Seminários Islâmicos do país.
Ainda que o processo de sucessão já esteja em andamento, há informações de que dezenas de líderes iranianos terão morrido nas últimas horas, prevendo-se um vazio de poder nos principais órgãos do país. De acordo com o presidente norte-americano, Donald Trump, foram mortos “48 líderes” iranianos de uma só vez.
Fica a dúvida sobre como decorrerá efetivamente a sucessão de Ali Khamenei após quase 37 anos no poder, numa altura em que os ataques continuam a visar Teerão e outras cidades iranianas.
Artigo atualizado às 19h30 de domingo, dia 1 de março de 2026.
Media. Ataques atingiram hospital em Teerão
"O Hospital Gandhi, em Teerão, foi atacado por bombardeamentos aéreos sionistas-americanos", escreveu a ISNA, enquanto as agências de notícias Fars e Mizan publicaram um vídeo, alegadamente filmado no interior do hospital, mostrando destroços no chão no meio de cadeiras de rodas.
Ex-presidente Mahmoud Ahmadinejad morreu nos ataques
O ataque atingiu a residência de Ahmadinejad em Narnak, no nordeste de Teerão, resultando na morte do antigo governante e de vários guarda-costas, adiantou a agência pró-regime iraniano.
Conselho da Europa apela à união para travar conflito no Médio Oriente
Em comunicado, Alain Berset sublinhou que o conflito que escalou no sábado é também "um teste para saber se a Europa pretende moldar a ordem que está a surgir ou se vai só observar a sua fragmentação".
"A Europa, como um todo, deve agir no sentido de apaziguar o conflito no Golfo, protegendo ao mesmo tempo a segurança dos seus cidadãos na região. Deve exigir o respeito pelo direito internacional, incluindo pela Carta das Nações Unidas", acrescentou o secretário-geral do Conselho da Europa, pedindo ainda o fim dos ataques de todas as partes.
Alain Berset considerou ainda que o mundo já não tem uma ordem legal, mas "apenas força e padrões duplos", apontando para o ataque ao Irão por parte dos Estados Unidos e de Israel e para as crises vividas na "Ucrânia, em Gaza, na Venezuela e, de outra forma, na Groenlândia".
"Ninguém pode esconder-se atrás da pretensão de que essa ordem nunca foi violada, ou que os poderosos não impuseram a sua vontade quando lhes convinha", lê-se no comunicado.
Neste momento, apontou ainda Alain Berset, "o tempo é essencial". "Se não organizarmos a segurança europeia coletiva dentro de uma estrutura legal permanente, esta permanecerá reativa a crises moldadas por outros", acrescentou, dizendo ainda que "à medida que são lançados mísseis, o direito internacional é transformado em arma".
Israel e Estados Unidos lançaram no sábado um ataque militar contra o Irão, para "eliminar as ameaças iminentes do regime iraniano", e Teerão respondeu com mísseis e drones contra bases norte-americanas na região e alvos israelitas.
O presidente norte-americano, Donald Trump, afirmou que a operação visa "eliminar ameaças iminentes" do Irão e o primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, justifica a ação conjunta contra o que classificou como uma "ameaça existencial".
O Irão já confirmou a morte do `ayatollah` Ali Khamenei, o líder supremo do país desde 1989 e decretou um período de luto de 40 dias.
Segundo a Cruz Vermelha iraniana, foram registados pelo menos 200 mortos e cerca de 750 feridos.
Portugal, França, Alemanha e Reino Unido condenaram os ataques iranianos a países vizinhos.
Confrontos entre manifestantes e polícia no Paquistão. Número de mortos sobe para 22
Confrontos entre manifestantes e a polícia na cidade portuária de Carachi, Paquistão, e no norte, fizeram pelo menos 22 mortos e mais de 120 feridos quando manifestantes pró-Irão tentavam invadir o consulado dos EUA, disseram as autoridades.
No norte do país, os manifestantes atacaram também os escritórios da ONU e do Governo.
A violência ocorreu depois de os EUA e Israel terem atacado o Irão, matando o líder supremo, o `ayatollah` Ali Khamenei. A polícia e os funcionários de um hospital em Carachi disseram que pelo menos 50 pessoas também ficaram feridas nos confrontos e algumas delas estavam em estado crítico.
O presidente Asif Ali Zardari expressou a sua "profunda tristeza pelo martírio de Khamenei" e transmitiu as suas condolências ao Irão, segundo o seu gabinete.
"O Paquistão está ao lado da nação iraniana neste momento de luto e partilha a sua perda", afirmou o chefe de Estado.
Summaiya Syed Tariq, médica legista do principal hospital público da cidade, confirmou que seis corpos e vários feridos foram levados para o local. O número de óbitos subiu depois para 10 após a morte de quatro pessoas gravemente feridas.
Milhares de xiitas em fúria
Doze pessoas foram mortas e mais de 80 ficaram feridas em confrontos com a polícia na região de Gilgit-Baltistão, no norte do país, quando milhares de manifestantes xiitas, enfurecidos com os ataques dos EUA e de Israel contra o Irão, atacaram os escritórios do Grupo de Observadores Militares da ONU e do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), disse o polícia local Asghar Ali.
Um porta-voz do Governo, Shabir Mir, adiantou que todos os funcionários destas organizações estavam em segurança.
Segundo a mesma fonte, os manifestantes entraram repetidamente em confronto com a polícia em vários locais da região, danificaram os escritórios de uma instituição de solidariedade local e incendiaram esquadras.
As autoridades mobilizaram tropas e controlaram a situação, referiu o porta-voz do Governo.
A embaixada dos EUA no Paquistão escreveu na rede social X que estava a monitorizar relatos de manifestações em curso nos consulados gerais dos EUA em Carachi e Lahore, bem como convocatórias para protestos adicionais na embaixada dos EUA em Islamabad e no consulado geral em Peshawar.
A embaixada aconselhou os cidadãos norte-americanos no Paquistão a acompanharem as notícias locais, a estarem atentos ao que acontece à sua volta, a evitarem grandes ajuntamentos e a manterem o seu registo de viagens junto do governo dos EUA atualizado.
O Paquistão, que alberga uma das mais importantes comunidades xiitas do mundo (cerca de 20% da sua população), vê com preocupação a escalada do conflito no Médio Oriente e o impacto que pode ter internamente, temendo que uma nova onda de violência civil abre mais uma frente de desestabilização interna.
Ataque iraniano provoca incêndio em base de Abu Dhabi que alberga forças francesas
"As equipas especializadas responderam este domingo a um incidente resultante de um ataque com dois drones iranianos a um depósito na base naval de Al Salam, em Abu Dhabi", disse o ministério francês. "O ataque provocou um incêndio em dois contentores com vários equipamentos, mas não houve vítimas", acrescentou.
A base emirati, também conhecida como Campo da Paz, alberga forças francesas a convite dos Emirados Árabes Unidos.
"Um hangar na nossa base naval, adjacente à dos Emirados Árabes Unidos, foi atingido num ataque com um drone dirigido ao porto de Abu Dhabi. Os danos são limitados e apenas materiais. Não há feridos", declarou a ministra das Forças Armadas, Catherine Vautrin, em entrevista à agência X.
"As nossas forças mantêm a máxima vigilância perante uma situação que se desenvolve a cada hora", acrescentou.
Caça britânico abateu drone iraniano que rumava ao Catar
Presidente de Governo dos Açores. Acordo Bilateral de Defesa e Cooperação entre Portugal e os EUA "foi cumprido"
Numa declaração política sem direito a perguntas dos jornalistas, José Manuel Bolieiro referiu que "no atual contexto internacional de guerra" o Governo dos Açores e o Governo "mantiveram contactos e troca de informação" através do primeiro-ministro, ministro dos Negócios Estrangeiros e presidente do executivo açoriano.
Boleiro, que falava no Palácio de Sant'Ana, em Ponta Delgada, considerou que o Acordo Bilateral de Defesa e Cooperação entre Portugal e os Estados Unidos "foi cumprido, tal como informou o Governo".
De acordo com o líder do executivo açoriano, os Açores e a sua posição geográfica "são um ativo, cuja centralidade estratégica para a segurança e defesa atlântica e ocidental, no plano nacional, no quadro da NATO e das relações com países aliados de Portugal, está agora reconfirmada pela atual conjuntura internacional".
Associando-se aos termos do comunicado do Governo, Bolieiro afirmou que, com a alteração do contexto desde sábado, ficou estabelecido entre ambos os governos a "intensificação dos contactos para informação e acompanhamento da evolução da situação".
No sábado, cinco aviões reabastecedores KC-46 Pegasus da Força Aérea norte-americana levantaram voo da Base das Lajes, na ilha Terceira, segundo constatou a Lusa no local.
Há mais de uma semana que estavam estacionados na Base das Lajes, nos Açores, 15 aviões reabastecedores KC-46 Pegasus da Força Aérea norte-americana, que têm capacidade de reabastecer outras aeronaves em pleno voo.
Paulo Rangel condena ataques a Omã e Jordânia
Paulo Rangel esteve em contacto com o homólogo jordano, Ayman Safadi, e durante a conversa agradeceu a atenção dada aos portugueses deslocados e expressou a "total solidariedade de Portugal" face aos ataques do Irão à Jordânia, segundo o Ministério dos Negócios Estrangeiros português na rede social X.
Numa segunda publicação, o mesmo ministério afirmou que Paulo Rangel conversou também com o ministério dos Negócios Estrangeiros de Omã, Badr al-Busaidi, e que condenou "sem reservas" os ataques iranianos ao país que tem mediado as negociações sobre o programa nuclear iraniano com os Estados Unidos.
O ministro "exprimiu a solidariedade de Portugal e o desejo de que as conversações possam ser retomadas em breve", acrescentou o ministério também no X.
No sábado o Ministério dos Negócios Estrangeiros recomendou aos portugueses que estão na região do Médio Oriente que cumpram as recomendações das autoridades locais, permaneçam em casa, e que, em caso de emergência, contactem as embaixadas ou consulados.
Portugal recebeu 39 pedidos de repatriamento de Israel e dois portugueses saíram do Irão
Portugal recebeu 39 pedidos de repatriamento de Israel e dois dos 13 portugueses residentes no Irão saíram do país atacado no sábado por Israel e Estados Unidos, avançou hoje o secretário de Estado das Comunidades Portuguesas.
Numa atualização do número de pedidos de repatriamento, Emídio Sousa explicou à agência Lusa que estava preparada uma evacuação terrestre do Irão, uma vez que o espaço aéreo daquela zona foi encerrado, e que os dois portugueses que já deixaram o país de carro.
"Temos 11 [portugueses] que são residentes e que não pretendem sair. Pelo menos, não nos manifestaram essa vontade", acrescentou.
Em relação aos pedidos de repatriamento, o número avançado ao início da tarde de hoje era de 18, tendo subido para os 39 pedidos de portugueses que estão em Israel e querem regressar a Portugal.
"Dos restantes países da zona em conflito, não temos ainda pedidos. Temos feito vários contactos, as nossas embaixadas estão em contacto permanente, os nossos cidadãos residentes ou que estão em trabalho, neste momento, estão calmos, estão em casa. Recomendamos que sigam sempre as recomendações das autoridades locais e que evitem sair de casa", explicou o secretário de Estado das Comunidades Portuguesas.
O maior foco de preocupação está relacionado com as pessoas que se encontravam em viagem - de turismo ou de negócios - e que, com o encerramento do espaço aéreo, estão retidas nos aeroportos. Nestes casos, recomenda-se a inscrição nos gabinetes de emergência consular.
O Ministério dos Negócios Estrangeiros recomendou aos portugueses que estão na região do Médio Oriente que cumpram as recomendações das autoridades locais, permaneçam em casa, e, em caso de emergência, contactem as embaixadas ou consulados.
Israel e Estados Unidos lançaram no sábado um ataque militar contra o Irão, para "eliminar as ameaças iminentes do regime iraniano", e Teerão respondeu com mísseis e drones contra bases norte-americanas na região e alvos israelitas.
Novas explosões em Erbil, no norte do Iraque
Fortes detonações abalaram a cidade, onde estão estacionados um consulado norte-americano e tropas norte-americanas, informou um jornalista da AFP.
As defesas aéreas intercetaram os ataques, mas não foi especificado se se tratava de mísseis ou drones, de acordo com um fotógrafo da AFP junto ao aeroporto de Erbil, que alberga tropas da coligação anti-jihadista liderada pelos EUA.
O exército iraniano declarou na manhã de domingo ter atacado bases norte-americanas na região do Curdistão iraquiano e no Golfo Pérsico, em resposta aos ataques israelitas e norte-americanos que mataram o Líder Supremo, Ayatollah Ali Khamenei.
Os sistemas de defesa dos EUA intercetaram drones em Erbil, onde um grupo iraquiano apoiado pelo Irão também reivindicou a responsabilidade pelos ataques com drones.
Trump: EUA afundaram 9 navios iranianos e destruíram quartel-general da Marinha do Irão
O presidente norte-americano, que supervisiona a ofensiva das forças norte-americanas a partir da sua residência em Mar-a-Lago, na Florida, ainda não comentou as mortes de três militares norte-americanos, as primeiras baixas norte-americanas desde o início do conflito.
Rádio e televisão iranianas foram atingidas
NATO "ajusta" posicionamento das forças em resposta a "potenciais ameaças"
O Comandante Supremo Aliado na Europa (SACEUR), o general norte-americano Alexus Grynkewich, "continua a manter discussões ativas e regulares com os líderes militares de ambos os lados do Atlântico, bem como com o secretário-geral da NATO", acrescentou o porta-voz, Martin L. O'Donnell, numa declaração à imprensa.
Presidente do Irão. Governo interino inicia funções no rumo "traçado" por Khamenei
"O Conselho de Direção Interino iniciou os trabalhos (...). Continuaremos com todas as nossas forças no rumo traçado pelo imã Khomeini", fundador da República Islâmica, declarou Pezeshkian, segundo a agência francesa AFP.
A República Islâmica "esmagará com força as bases do inimigo", acrescentou.
Pezeshkian fez o comentário numa mensagem pré-gravada transmitida pela televisão estatal iraniana, noticiou a agência norte-americana AP.
O presidente é um dos três membros que integram o conselho interino.
Os restantes são o chefe do poder judicial, o clérigo Gholam Hossein Mohseni Ejehei, e o `ayatollah` Ali Reza Arafi.
O conselho ficou encarregado de assegurar a transição no Irão após a morte, aos 86 anos, de Ali Khamenei, que liderava o regime desde 1989.
Khamenei foi morto nos primeiros bombardeamentos contra Teerão, lançados por Israel e pelos Estados Unidos, juntamente com dezenas de outros dirigentes políticos e militares.
Esta é a segunda vez que o Irão vai escolher um líder supremo, depois de Ali Khamenei ter sucedido ao `ayatollah` Ruhollah Khomeini, fundador da República Islâmica após a revolução de 1979 que depôs a monarquia.
Putin perde mais um aliado de peso com a morte de `ayatollah` Khamenei
Bashar al-Assad, Nicolás Maduro e Ali Khamenei. Vladimir Putin perdeu, em apenas um ano e meio, três dos seus aliados estrangeiros mais importantes, sem que o Kremlin, envolvido na guerra na Ucrânia, possa reagir de forma firme.
O líder russo limitou-se este sábado a enviar uma carta para expressar condolências após o "assassínio" do líder supremo iraniano, descrevendo-o como "um estadista extraordinário que deu uma contribuição pessoal enorme para o desenvolvimento das relações de amizade entre a Rússia e o Irão".
Apesar de ter condenado o ato como uma "violação cínica" da "moral e do direito internacional", Putin e as autoridades russas não anunciaram oficialmente qualquer ajuda concreta a Teerão face às operações militares dos Estados Unidos e de Israel em curso. Em junho de 2025, ao responder a uma pergunta da AFP durante uma conferência de imprensa, Putin tinha afirmado nem sequer querer "discutir" a eventualidade do assassínio de Khamenei.
No sábado, foi o ministro iraniano dos Negócios Estrangeiros iraniano, Abbas Araghchi, quem tomou a iniciativa, segundo Moscovo, de ligar ao seu homólogo russo, Serguei Lavrov, quando os bombardeamentos tinham já começado.
Para o especialista russo Alexandre Baounov, do centro Carnegie, a morte de Khamenei coloca o presidente russo numa "situação difícil".
Desde a reeleição de Donald Trump como Presidente dos Estados Unidos, Putin tem procurado acautelar o polémico bilionário norte-americano para obter favores de Washington nas negociações para pôr fim à guerra desencadeada pela invasão russa da Ucrânia em 2022.
No início de janeiro, o sequestro pelos Estados Unidos do antigo líder venezuelano Nicolás Maduro marcou a perda de outro parceiro de Moscovo, sem que o Kremlin pudesse intervir.
"Duas vezes em dois meses, Putin falhou no seu papel de salvador", sublinhou Baounov na conta pessoal na rede social Telegram. E, no caso de Khamenei, acrescenta o especialista, "o assassino é o seu amigo Trump". Moscovo, o refúgio
Anteriormente, Vladimir Putin tinha conseguido pelo menos ajudar o ex-líder ucraniano Viktor Ianukovitch a encontrar refúgio na Rússia, em fevereiro de 2014. Também concedeu asilo a Bashar al-Assad e à sua família após a sua queda do regime na Síria, em dezembro de 2024.
Ao contrário do caso Maduro, a morte de Khamenei ocorreu numa região do mundo que a Rússia considera o seu "hemisfério", considera Baounov.
O especialista compara este assassínio ao do líder líbio e aliado do Kremlin, Muammar Kadhafi, em 2011, que marcou, segundo Baounov, "uma viragem na política russa" e constituiu uma das justificações de Putin para "romper com o Ocidente".
Teerão manteve-se um dos aliados e apoiantes mais próximos da Rússia durante toda a ofensiva lançada por Moscovo contra a Ucrânia em 2022. Perda de influência
Kiev e os países ocidentais acusam Teerão de ter fornecido à Rússia armas e tecnologias militares, como os drones Shahed, de conceção iraniana, que Moscovo produz agora em massa e utiliza diariamente para bombardear a Ucrânia.
Em 2025, Rússia e Irão assinaram também um tratado de parceria estratégica com vista a reforçar os laços, incluindo na área militar.
Além da perda de um aliado importante em Ali Khamenei, as consequências para Moscovo do conflito em curso no Irão são ainda difíceis de avaliar.
O deputado russo Anatoli Vasserman, citado pelo órgão de comunicação social próximo do Kremlin MK.ru, garantiu que a guerra poderá beneficiar a curto prazo a Rússia se provocar uma forte subida dos preços do petróleo, mas criar a longo prazo "graves problemas" aos Estados Unidos e a Israel se as autoridades iranianas "resistirem".
Por seu lado, Kiev congratulou-se com a morte do líder religioso iraniano.
Para o ministro dos Negócios Estrangeiros ucraniano, Andrii Sybiga, a morte do `ayatollah` demonstra mesmo que a Rússia não é um "parceiro fiável, mesmo para aqueles que mais dependem dela" e que perde influência devido à sua "guerra insensata contra a Ucrânia".
Sondagem Reuters/Ipsos. Apenas um em cada quatro norte-americanos apoia os ataques dos EUA ao Irão
Cerca de 27% dos inquiridos disseram aprovar os ataques, enquanto 43% desaprovaram e 29% afirmaram que não tinham a certeza. Cerca de nove em cada dez inquiridos disseram que ouviram falar dos ataques, que começaram ao início da manhã de sábado.
Cerca de 56% dos norte-americanos consideram que Trump, que também ordenou ataques na Venezuela, Síria e Nigéria nos últimos meses, está demasiado disposto a recorrer ao uso de força militar para promover os interesses dos EUA.
Balanço de ataque iraniano perto de Jerusalém sobe para oito mortos
"No setor de Bet Shemesh, as equipas de resgate e paramédicos confirmaram o óbito de oito pessoas", anunciou o Magen David Adom, o equivalente israelita da Cruz Vermelha, num comunicado citado pela agência de notícias France-Presse.
A organização disse que retirou do local 28 feridos, dos quais dois estavam em estado grave.
O jornal Jerusalem Post noticiou que, cerca de três dezenas de ambulâncias foram enviadas para o local onde caiu o míssil, na região de Bet Shemesh (centro), a cerca de 30 quilómetros a sudoeste de Jerusalém.
Referiu também que foi registado um segundo impacto de um míssil.
Entre os festejos e os lamentos. Morte de Khamenei com reações opostas em vários países
Comunidade iraniana em Portugal celebra ataque e espera mudança de regime
Vários iranianos que residem em Portugal festejam este domingo o ataque israelo-americano contra Teerão junto à embaixada do Irão em Lisboa.
Foto: Filipa Brunay - RTP
"Esta intervenção era a coisa mais desejada pelo povo iraniano", vinca um dos manifestantes, deixando elogios a Donald Trump.
"Concordei em conversar". Trump diz que nova liderança iraniana quer retomar negociações
"Eles querem falar, e eu concordei em falar, por isso vou falar com eles. Deviam tê-lo feito antes. Deviam ter oferecido algo que era muito prático e fácil de fazer antes. Esperaram demasiado tempo", disse Trump numa entrevista a partir da sua residência na Florida, noticiou a revista.
"A maioria dessas pessoas já se foi. Algumas das pessoas com quem estávamos a negociar já morreram, porque aquilo foi um grande golpe",
Israel convoca 100 mil reservistas
Netanyahu: ataques israelitas contra Teerão vão intensificar-se
Swiss International Air Lines prolonga suspensão de voos para o Médio Oriente
Os voos de e para Telavive permanecerão suspensos até 8 de março, inclusive, acrescentou a Swiss.
Até 4 de março, inclusive, "as nossas aeronaves não utilizarão o espaço aéreo dos Emirados Árabes Unidos" e, até 8 de março, inclusive, "continuaremos a evitar o espaço aéreo de Israel, Líbano, Jordânia, Iraque, Irão, Kuwait e Bahrein", afirmou a companhia aérea suíça.
A companhia aérea, que faz parte do Grupo Lufthansa, especificou que está a oferecer aos passageiros o reembolso ou a remarcação gratuita para uma data posterior.
Omã diz que Irão está disponível para atenuar o conflito
A informação foi transmitida num comunicado do Ministério dos Negócios Estrangeiros de Omã divulgado este domingo após uma conversa telefónica entre os dois governantes.
Omã tem sido o país mediador das negociações nucleares entre os Estados Unidos e o Irão.
Trump: Foram mortos "48 líderes iranianos de uma só vez"
"Está a avançar rapidamente. Ninguém consegue acreditar que estamos a fazer bem. Foram eliminados 48 líderes de uma só vez", disse o presidente norte-americano, segundo a repórter que transcreveu as suas declarações na sua conta de Twitter.
Especifica que a conversa ocorreu antes do anúncio das primeiras baixas americanas no conflito: três soldados foram mortos e outros cinco ficaram gravemente feridos, como anunciou o Comando Central dos EUA (Centcom) no domingo.
Pentágono avança que USS Abraham Lincoln não foi atingido por mísseis iranianos
O Pentágono revelou a morte de três soldados norte-americanos morreram e cinco ficaram feridos no ataque de sábado ao Irão.
Companhias MSC e Maersk suspendem operações no estreito de Ormuz
Duas das maiores companhias marítimas do mundo, a Mediterranean Shipping Company (MSC) e a Maersk, suspenderam as operações no estreito de Ormuz, agora fechado ao tráfego devido ao conflito entre o Irão, os Estados Unidos e Israel.
Num comunicado publicado no seu `site` na Internet, a MSC garante que, "como medida de precaução, suspendeu todas as reservas para o transporte global de cargas pela região do Médio Oriente até novo aviso".
A Maersk, por seu lado, também anunciou a suspensão de "todas as travessias de navios no Estreito de Ormuz até novo aviso" e alertou os clientes que "os serviços que fazem escala nos portos do Golfo Pérsico podem sofrer atrasos, desvios ou ajustes de horário".
Vários navios informaram, no sábado, terem recebido transmissões da Marinha iraniana informando que está proibido o trânsito pelo Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de 20% do consumo global de petróleo.
Os principais operadores e companhias marítimas suspenderam as operações em Ormuz e as seguradoras suspenderam a sua cobertura na zona. As páginas de acompanhamento do tráfego marítimo revelam que o trânsito ficou paralisado em ambos os lados do estreito.
Israel e Estados Unidos lançaram no sábado um ataque militar contra o Irão, para "eliminar as ameaças iminentes do regime iraniano", e Teerão respondeu com mísseis e drones contra bases norte-americanas na região e alvos israelitas.
O Irão já confirmou a morte do `ayatollah` Ali Khamenei, o líder supremo do país desde 1989.
Segundo a Cruz Vermelha iraniana, foram registados pelo menos 200 mortos e cerca de 750 feridos.
CP // NS
Lusa/Fim
Dois navios atacados no Estreito de Ormuz
O primeiro navio, ao largo da costa de Omã, foi atingido "por um projétil desconhecido acima da linha de água", informou a agência britânica de segurança marítima UKMTO.
Num incidente separado, outro "navio foi atingido por um projétil desconhecido", disse a UKMTO, enquanto a empresa de segurança marítima Vanguard Tech afirmou que estava localizado "a cerca de 17 milhas náuticas a noroeste de Mina Saqr, Emirados Árabes Unidos".
Países do Golfo vão discutir hoje "resposta unificada" a ataques de Teerão
Os países do Golfo vão reunir-se por videoconferência hoje à noite para discutir uma "resposta unificada" ao segundo dia de ataques de Teerão na região, em retaliação à ofensiva israelita e norte-americana.
"Será uma reunião `online` dos ministros dos Negócios Estrangeiros do Conselho de Cooperação do Golfo devido ao encerramento dos aeroportos", disse um diplomata de um dos países à agência francesa AFP.
O Conselho de Cooperação do Golfo reúne Emirados Árabes Unidos, Arábia Saudita, Kuwait, Omã, Qatar e Bahrein.
As discussões centrar-se-ão nos "ataques iranianos contra os Estados do Golfo e na coordenação com vista a uma resposta unificada", precisou a mesma fonte, que pediu para não ser identificada devido à sensibilidade da questão.
A AFP acrescentou que a informação foi confirmada por outro diplomata da região.
O Irão tem atacado vários países da região, nomeadamente os que acolhem bases militares norte-americanas, desde que os Estados Unidos e Israel lançaram, no sábado, uma ofensiva de grande envergadura contra Teerão.
O Presidente norte-americano, Donald Trump, deu indicações de que a operação visava o derrube do regime do Irão e incitou o povo iraniano a tomar o poder após a intervenção militar conjunta com Israel.
O líder supremo do Irão, Ali Khamenei, foi morto no início dos ataques, juntamente com dezenas de outros dirigentes políticos e militares da República Islâmica.
Irão afirma que alvejou porta-aviões USS Abraham Lincoln no Golfo Pérsico
Israel interceta míssil iraniano em território sírio
Os jornalistas da AFP em Damasco ouviram uma forte explosão por volta do meio-dia. "A forte explosão foi provocada pela interceção de um míssil iraniano por Israel sobre a Síria", disse a fonte.
Em resposta ao ataque conjunto dos EUA e de Israel lançado no sábado contra o Irão, Teerão está a realizar ataques com mísseis contra Israel e os países do Golfo.
No sábado, destroços de mísseis caíram no sul da Síria, perto da fronteira com Israel, segundo os meios de comunicação estatais.
A Síria renovou este domingo o encerramento do seu espaço aéreo por mais 24 horas, enquanto a companhia aérea nacional síria, Syrian Air, cancelou todos os voos de e para os aeroportos de Damasco e Alepo (no norte) até novas ordens.
As baterias antiaéreas do exército sírio foram quase totalmente destruídas em ataques do exército israelita, que realizou centenas de incursões desde a queda de Bashar al-Assad, em dezembro de 2024, alegando querer impedir que o seu arsenal caia nas mãos das novas autoridades islamistas.
A importância do Estreito de Ormuz
A ofensiva militar contra o Irão ameaça abalar os mercados financeiros. Os especialistas antecipam: as bolsas podem abrir amanhã com o preço do petróleo a aumentar.
Foto: Reuters
Morte de Khamenei recebida com raiva e com festa
A morte de Ali Khamenei está a provocar violentos protestos nalguns dos países vizinhos do Irão. No Paquistão, centenas de pessoas invadiram o Consulado dos Estados Unidos em Carachi.
Portugal recebeu 18 pedidos de repatriamento
O secretário de Estado das Comunidades apela à calma e pede aos portugueses que estão no Médio Oriente que evitem deslocações desnecessárias.
Comunidade portuguesa residente no Golfo Pérsico apanhada no meio do conflito
O som de explosões da defesa antiaérea continua a ouvir-se em vários países do Golfo, onde vivem cidadãos portugueses. As ruas estão mais vazias, há apelos para não saírem de casa, mas, para já, não tencionam abandonar a região.
França só pode estar satisfeita com morte de "ditador sanguinário"
A porta-voz do Governo francês considerou hoje que o líder supremo do Irão, Ali Khamenei, era um "ditador sanguinário", pelo que a França apenas pode "sentir-se satisfeita" com a sua morte.
"Khamenei era um ditador sanguinário que oprimiu o seu povo, aviltou as mulheres, os jovens, as minorias, e foi, ainda recentemente, responsável pela morte de milhares de civis no país e na região", afirmou a porta-voz do Governo francês.
"Não podemos, portanto, senão sentir satisfação com o seu desaparecimento", disse Maud Bregeon num programa televisivo.
A porta-voz francesa reafirmou as reservas de Paris quanto ao desencadeamento das operações militares de Israel e dos Estados Unidos contra o poder da República Islâmica, nomeadamente no plano jurídico, e sublinhou as incertezas que acarretam.
"Mais uma vez, com toda a evidência, isto não foi enquadrado pelo direito internacional. Agora, o que conta é o dia seguinte", afirmou, citada pela agência de notícias France-Presse (AFP).
Advertiu que a decisão de atacar o Irão "mergulha a região numa situação de instabilidade" e que "cabe ao povo iraniano escolher o seu próprio destino".
Bregeon reiterou que o Governo francês não participou nem foi avisado com antecedência sobre os ataques, mas rejeitou que isso implique que a França esteja isolada.
Segundo a porta-voz, o Presidente Emmanuel Macron informou no sábado os parceiros no Médio Oriente de que a França estava disposta para prestar assistência perante as represálias iranianas.
Bregeon disse também que o Governo estava disposto a organizar, "quando a situação o permitir", a retirada de franceses que desejem abandonar a região do Médio Oriente, dado o agravamento da situação de segurança.
A declaração de Bregeon é a primeira reação do Governo francês desde a confirmação oficial da morte de Khamenei, segundo a agência espanhola EFE.
No sábado, Macron apelou à cessação da escalada bélica, instou o Irão a manter negociações e pediu uma reunião urgente do Conselho de Segurança das Nações Unidas.
Três mortos nos Emirados Árabes Unidos
Pelo menos seis mortos em ataque iraniano contra Israel
Centenas de navios encalhados no Estreito de Ormuz
Dezenas de outros navios estavam parados do outro lado do ponto de estrangulamento. Os movimentos ocorreram após os ataques dos EUA e de Israel contra o Irão, que mergulharam a região numa nova guerra.
Os petroleiros estavam concentrados em águas abertas ao largo das costas dos principais produtores de petróleo do Golfo, incluindo o Iraque e a Arábia Saudita, bem como do gigante do GNL, o Catar, de acordo com as estimativas da agência de notícias Reuters, baseadas em dados de rastreamento de navios da plataforma MarineTraffic.
OPEP+ aumenta as vantagens que a produção enfrenta na guerra no Irão
Os oito membros do grupo "concordaram com um ajustamento de produção de 206 mil barris por dia", que "será implementado em abril", segundo um comunicado da Organização dos Países Exportadores de Petróleo, que citou o equilíbrio do mercado sem mencionar diretamente o Irão.
Israel afirma ter atingido dois caças no aeroporto de Tabriz
🎯STRUCK: Two F5 and F4 fighter jets at the airport of Tabriz in western Iran, as the jets were prepared for takeoff
— Israel Defense Forces (@IDF) March 1, 2026
The strike was conducted to degrade the Iranian Air Force’s activities and to further expand the degradation of their aerial defense. pic.twitter.com/lEvpyiPI5M
A declaração militar israelita, acompanhada de um vídeo do ataque, referia que “o ataque foi realizado para prejudicar as atividades da Força Aérea iraniana e ampliar ainda mais a degradação da defesa aérea do regime”.
Chipre nega que tenham sido lançados mísseis em direção ao país
"Em relação às declarações e publicações referentes ao lançamento de mísseis na direção de Chipre, esclarecemos que tal não ocorreu e não há indícios de que tenha havido uma ameaça para o país", afirmou.
"As autoridades competentes estão a monitorizar a situação de perto".
Fontes da defesa britânica afirmaram que dois mísseis iranianos foram disparados em direção a Chipre, onde existem bases militares do Reino Unido.
China condena morte de Ali Khamenei e apela ao fim das ações militares
A China condenou hoje firmemente a morte do líder supremo iraniano, Ali Khamenei, nos ataques dos Estados Unidos e Israel, e reafirmou o apelo à "interrupção imediata das ações militares".
A morte de Ali Khamenei constitui "uma violação grave da soberania e da segurança do Irão", afirmou o Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês num comunicado citado pela agência de notícias France-Presse (AFP).
A China disse tratar-se de "um atropelo dos objetivos e princípios da Carta das Nações Unidas e das normas fundamentais das relações internacionais".
Papa apela ao fim da "espiral de violência"
O Papa Leão XIV apelou hoje ao fim da "espiral de violência" no Médio Oriente, após os ataques lançados pelos Estados Unidos e Israel contra o Irão, que ripostou com ataques aéreos.
"Perante a possibilidade de uma tragédia de enormes proporções, exorto as partes envolvidas a assumirem a responsabilidade moral de parar esta espiral de violência antes que ela provoque uma fratura irreparável", disse o Papa perante milhares de fiéis presentes na Praça de São Pedro, no Vaticano, onde assistiram ao Angelus.
"Acompanho com profunda preocupação tudo o que está a acontecer no Médio Oriente e no Irão nestas horas dramáticas. A estabilidade e a paz não se constroem com ameaças recíprocas nem com armas que semeiam destruição, dor e morte", disse o papa norte-americano da janela do Palácio Apostólico.
A estabilidade, sublinhou, só pode ser construída "através de um diálogo razoável, autêntico e responsável".
Assim, Leão XIV apelou aos países envolvidos nesta crise, sem os citar expressamente, para que assumam a "responsabilidade moral" de terminarem a escalada bélica.
"Que a diplomacia encontre o seu papel e promova o bem dos povos que anseiam por uma coexistência pacífica baseada na justiça", disse o Papa, que em seguida pediu orações pela paz.
O apelo do pontífice ocorreu um dia após o ataque com o qual os Estados Unidos e Israel procuram derrubar o regime iraniano e que resultou na morte, entre outros, do líder supremo do Irão, Ali Khamenei, após 36 anos no poder da República Islâmica.
Morte de Khamenei é "momento decisivo" na história do país, afirma Kaja Kallas
A chefe da diplomacia da União Europeia, Kaja Kallas, considerou hoje que a morte do líder supremo Ali Khamenei durante os ataques norte-americanos e israelitas no Irão constitui um "momento decisivo" na história do país.
"A morte de Ali Khamenei é um momento decisivo na história do Irão. O que se seguirá é incerto. Mas existe agora um caminho aberto para um Irão diferente, [em] que o seu povo poderá ter mais liberdade para moldar", escreveu Kallas na rede social X.
The death of Ali Khamenei is a defining moment in Iran’s history.
— Kaja Kallas (@kajakallas) March 1, 2026
What comes next is uncertain. But there is now an open path to a different Iran, one that its people may have greater freedom to shape.
I’m in contact with partners, including those in the region that bear the… pic.twitter.com/s5CqUqHrWi
Reino Unido afirma que dois mísseis balísticos foram disparados "em direção ao Chipre"
"Dois mísseis balísticos foram disparados em direção a Chipre", disse John Healey à BBC, especificando que caças britânicos estavam a participar em ações "defensivas" na região, operando a partir da base aérea britânica na ilha e de uma base no Catar.
"Agora temos quase a certeza de que não se destinavam a atingir Chipre, mas isto demonstra o quanto as nossas bases e o nosso pessoal, tanto militar como civil, estão atualmente em risco", acrescentou, sem fornecer mais detalhes sobre os mísseis ou se foram intercetados.
Acusou ainda Teerão de ser "cada vez mais indiscriminado, generalizado e descontrolado nos seus ataques".
Segundo o mesmo, este incidente, até agora não divulgado, ilustra “uma situação verdadeiramente grave e em deterioração” no Médio Oriente e “o risco crescente de retaliações cada vez mais frequentes e indiscriminadas por parte do Irão”.
“Este é um exemplo de que existe uma ameaça muito real e crescente por parte de um regime que está a atacar indiscriminadamente na região, e isso exige que ajamos. Exige que ajamos defensivamente”, disse à Sky News numa entrevista separada no domingo.
“Juntamente com os americanos, reforçámos as nossas forças defensivas no Médio Oriente. Estamos a realizar estas incursões. Estamos a abater drones que ameaçam as nossas bases, os nossos cidadãos ou os nossos aliados”, acrescentou o ministro.
Presidente israelita espera por "uma nova era" para o Médio Oriente
"Este é um esforço histórico para mudar a trajetória do Médio Oriente em direção a um futuro diferente, um futuro de paz", disse Herzog durante uma inspeção a um local em Telavive, no centro de Israel, que tinha sido atingido no dia anterior por um míssil iraniano.
"Vamos triunfar e, com sorte, inauguraremos uma nova era para o Médio Oriente e para o Irão", acrescentou.
Hamas, Hezbollah, Jihad Islâmica e huthis condenam morte de Khamenei e juram vingança
O Hamas, condenando a “traiçoeira e brutal agressão sionista-americana”, pediu que sejam tomadas “medidas urgentes” a nível internacional para pôr fim aos “crimes” dos Estados Unidos e de Israel na região.
O grupo armado Jihad Islâmica, aliado do Hamas durante os dois anos de guerra com Israel na Faixa de Gaza, classificou a morte de Ali Khamenei como um “crime de guerra” cometido pelos Estados Unidos e por Israel numa “ataque traiçoeiro e mal-intencionado”.
Já o Hezbollah garantiu hoje que vai “enfrentar a agressão” norte-americana e israelita a Khamenei, afirmou, num comunicado, Naim Qassem, líder do movimento libanês pró-iraniano.
“Cumpriremos o nosso dever enfrentando a agressão”, assegurou o chefe do Hezbollah no comunicado, acrescentando: “quaisquer que sejam os sacrifícios, não abandonaremos […] o campo da resistência”.
O Hezbollah ainda não tinha reagido desde o início da vasta ofensiva dos Estados Unidos e de Israel contra o Irão.
Também os Huthis, no poder no Iémen e aliados do Hamas, lamentaram hoje o “assassínio” de Khamenei, uma figura política e religiosa que classificaram como mártir e cujo legado, afirmaram, inspirará “uma resistência contínua contra os Estados Unidos e Israel”.
“Com profundo pesar e dor, o Conselho Político Supremo recebeu a notícia do martírio do líder da Revolução Islâmica no Irão. Travou uma longa luta de jihad [guerra santa] contra os inimigos da nação islâmica, os sionistas e os norte-americanos, e concluiu a sua vida com o martírio às mãos dos inimigos de Deus e assassinos de profetas”, declarou o Conselho Político Supremo dos huthis.
Os huthis descreveram o ataque como um “crime atroz” e uma “violação flagrante de todas as leis e normas internacionais”.
Drones intercetados pelos EUA no norte do Iraque
Ouviram-se explosões e o fumo era visível no céu, disse o repórter, que estava perto do consulado em Erbil.
Já este domingo, os militares iranianos disseram ter atacado bases norte-americanas na região do Curdistão iraquiano, onde se situa Erbil.
Putin considera assassinato de Khamenei como uma "violação cínica de todas as normas da moralidade humana"
“Por favor, aceitem as minhas profundas condolências pelo assassinato do Líder Supremo da República Islâmica do Irão, Seyed Ali Khamenei, e de membros da sua família, cometido numa violação cínica de todas as normas da moralidade humana e do direito internacional”, escreveu Putin numa nota ao seu homólogo iraniano, Masoud Pezeshkian.
Segundo Putin, na Rússia “o Ayatollah Khamenei será recordado como um estadista excecional que deu um enorme contributo pessoal para o desenvolvimento das relações de amizade entre a Rússia e o Irão, elevando-as ao nível de uma parceria estratégica abrangente”.
Emirates suspende todas as operações de e para o Dubai
Aeroportos de trânsito importantes, incluindo o Dubai e Abu Dhabi, nos Emirados Árabes Unidos, e Doha, no Catar, foram encerrados ou sofreram restrições severas esta manhã.
O Aeroporto Internacional do Dubai foi danificado durante os ataques de retaliação do Irão, enquanto os aeroportos de Abu Dhabi e Kuwait também foram atingidos.
A British Airways e a Virgin Atlantic estão entre as companhias aéreas que cancelaram voos para a região, enquanto os ataques continuam e o espaço aéreo permanece fechado ou restrito.
PEV exige que Governo rejeite utilização das Lajes em ações militares fora da NATO
O Partido Ecologista "Os Verdes" exigiu hoje ao Governo que rejeite a utilização da Base das Lajes, nos Açores, para ações militares fora do quadro da NATO, condenando os ataques dos Estados Unidos e Israel no Irão.
"Os Verdes exigem da parte do Governo a recusa absoluta em compactuar com esta grave violação do direito internacional, desde logo, rejeitando a utilização da base das Lajes com vista a ações militares fora do quadro da NATO, ao arrepio dos acordos bilaterais de cooperação e defesa vigentes entre Portugal e EUA", lê-se num comunicado do PEV com as conclusões do Conselho Nacional do partido, que se reuniu no sábado.
Sobre os bombardeamentos dos EUA e Israel no Irão, os Verdes consideram "que este ato de agressão que terá atingido várias áreas da capital do Irão e que terá vitimado dezenas de civis e infraestruturas como escolas, merecem a mais forte condenação".
No plano da política internacional, o PEV manifesta preocupação com "as pretensões da administração Trump" e lamenta a "figura triste do Governo PSD/CDS que ainda ponderou a sua presença como observador" no Conselho da Paz do Presidente norte-americano.
O partido manifesta a sua solidariedade com os países da América latina, lembrando a operação na Venezuela e detenção de Nicolás Maduro, bem como o intensificar do bloqueio económico a Cuba.
A nível nacional, o PEV lamenta as consequências das intempéries que assolaram o país no final de janeiro e início de fevereiro, salientando que ao longo dos anos tem alertado para as consequências de fenómenos climatéricos extremos.
Para o partido, "à falta de ordenamento do território e de planeamento e à insegurança dos sistemas, juntou-se ainda a notória insuficiência da ação do Governo PSD/CDS".
Os Verdes defendem que os salários dos trabalhadores em empresas que recorram ao `lay-off` simplificado deve ser pago a 100% - ao contrário dos dois terços estabelecidos pelo decreto do Governo que está a ser alvo de uma apreciação parlamentar -- e propõem que empresas que recebam apoios públicos para a retoma da atividade fiquem "proibidos de cessar contratos de trabalho, não só enquanto foram apoiadas, mas também durante um período alargado de tempo".
O PEV critica ainda a "intenção do Governo de entregar ao privado os serviços ferroviários urbanos mais rentáveis da CP, Sintra/Azambuja, Cascais, Sado e Porto" e considera inaceitável o encerramento da urgência de obstetrícia e ginecologia do Hospital do Barreiro e no Hospital de Vila Franca de Xira, além de insistir nas críticas ao anteprojeto de reforma laboral apresentado pelo executivo.
Estados do Golfo reportam interceção bem-sucedida de mísseis e drones iranianos
O Irão lançou mísseis e drones contra instalações militares israelitas e norte-americanas no Bahrein, Kuwait e Catar, em resposta aos ataques mortais de sábado levados a cabo por Israel e pelos Estados Unidos contra o país.
Ayatollah Alireza Arafi vai exercer temporariamente o papel de Líder Supremo
Alireza Arafi foi nomeado como membro jurista do Conselho de Liderança do Irão, órgão encarregado de desempenhar o papel do líder supremo até que a Assembleia de Peritos eleja um novo líder, informou a agência de notícias ISNA.
Membro clérigo do Conselho dos Guardiões, Arafi fará parte do Conselho de Liderança temporário ao lado do presidente Masoud Pezeshkian e do presidente do Supremo Tribunal, Gholamhossein Mohseni Ejei.
O conselho interino, que incluirá também o presidente e o chefe do poder judicial, vai liderar o país até que a Assembleia de Peritos "eleja um líder permanente o mais rapidamente possível".
O terceiro membro do conselho é um clérigo e jurista xiita que exerce atualmente funções como presidente do Centro de Gestão dos Seminários Islâmicos do país, membro do Conselho dos Guardiães e segundo vice-presidente da Assembleia de Peritos para a Liderança, segundo a página da Assembleia de Discernimento.
“Aos 66 anos, Alireza Arafi encarna o entrelaçamento entre a autoridade religiosa e a influência política que define a estrutura de poder do Irão”, referem meios de comunicação locais.
O conselho interino fica assim completo para liderar o “período de transição” após a morte de Khamenei nos ataques dos Estados Unidos e de Israel, depois de 37 anos no poder.
Segundo a legislação iraniana, o órgão responsável por eleger o líder supremo é a Assembleia de Peritos, composta por 88 clérigos eleitos por sufrágio direto de quatro em quatro anos, a última vez nas eleições de março de 2024.
Israel afirma ter destruído metade do arsenal de mísseis do Irão
"Durante esta operação, destruímos cerca de metade do arsenal de mísseis do regime iraniano e impedimos a produção de pelo menos mais 1.500 mísseis", disse o Brigadeiro-General Effie Defrin, porta-voz do exército, num comunicado televisivo.
"O regime vinha produzindo dezenas de mísseis superfície-superfície por mês e pretendia aumentar a sua produção para várias centenas por mês", acrescentou.
Exército israelita reivindica morte de líder supremo Ali Khamenei
O exército israelita reivindicou hoje a morte do líder supremo iraniano, Ali Khamenei, nos bombardeamentos no sábado que deram início à nova guerra contra o Irão em colaboração com os Estados Unidos.
"Ali Khamenei foi alvo de uma operação precisa e de larga escala levada a cabo pela Força Aérea Israelita", assegurou o exército de Israel num comunicado citado pela agência de notícias espanhola EFE.
A força aérea foi "guiada por informações de inteligência detalhadas" e Ali Khamenei foi visado quando "se encontrava no seu complexo de comando central no coração de Teerão, juntamente com outros altos oficiais".
"Khamenei foi o arquiteto do plano para destruir o Estado de Israel e era conhecido como a `cabeça do polvo iraniano`, estendendo os seus braços por todo o Médio Oriente e pelas fronteiras do Estado de Israel", disseram os militares.
O exército israelita congratulou-se por ter posto "fim a um capítulo de décadas", uma vez que a morte de Khamenei se soma a uma série de ataques anteriores para eliminar chefes de milícias do chamado "Eixo de Resistência" iraniano.
Entre eles, conta-se o outrora líder máximo da milícia xiita libanesa Hezbollah, Hassan Nasrallah, que morreu após um ataque israelita contra o quartel-general do grupo em Beirute, a 27 de setembro de 2024.
Menos de um mês depois, Israel confirmou ter matado o líder máximo do Hamas e mentor dos ataques de 7 de outubro de 2023, Yahya Sinwar.
Sinwar era o homem mais procurado na ofensiva israelita que devastou a Faixa de Gaza com mais de 70.000 palestinianos mortos.
O jornal norte-americano The New York Times (NYT) noticiou hoje que foi a CIA que obteve a informação de que Ali Khamenei deveria participar numa reunião de alto nível no sábado de manhã em Teerão.
Citando fontes próximas da operação, o jornal disse que a agência de informações norte-americana acompanhava o rasto do líder supremo iraniano há vários meses e tinha adquirido confiança quanto aos locais de residência e hábitos.
"Depois, a agência soube que uma reunião de altos responsáveis deveria ter lugar na manhã de sábado, num complexo imobiliário pertencente às autoridades iranianas no coração de Teerão", noticiou o NYT.
"Mais importante ainda, a CIA soube que o líder supremo estaria no local", referiu o jornal, citado pela agência de notícias France-Presse (AFP).
Os norte-americanos partilharam depois a informação com Israel e, segundo fontes informadas sobre o processo de decisão ouvidas pelo jornal, os Estados Unidos e Israel decidiram ajustar a cronologia do ataque, o que permitiu eliminar o líder iraniano.
O plano inicial previa um ataque noturno, mas foi alterado para as 09:40 locais (06:10 em Lisboa) por causa da reunião em que participaria Ali Khamenei.
Foram usados mísseis de longo alcance ar-terra, cujo nome o diário não revelou.
Além do líder supremo, Teerão confirmou que nos ataques morreram o chefe do Estado-Maior das Forças Armadas, major-general Abdorrahim Musaví, o ministro da Defesa, brigadeiro-general Aziz Nasirzadeh, e o secretário do Conselho de Defesa, Ali Shamjani.
O comandante da Guarda Revolucionária Islâmica, general Mohamad Pakpur, também foi morto nos ataques de sábado e Teerão anunciou hoje a sua substituição pelo brigadeiro-general Ahmad Vahidi, segundo a agência iraniana Mehr.
Em resposta aos ataques, que prosseguiram hoje, o Irão lançou uma série de ataques contra interesses norte-americanos na região, mas também contra outros países da zona.
Hezbollah promete "confrontar a agressão" dos Estados Unidos e de Israel
"Cumpriremos o nosso dever confrontando a agressão", afirmou o líder do Hezbollah em comunicado, acrescentando: "Quaisquer que sejam os sacrifícios, não abandonaremos o caminho da resistência". O Hezbollah não interveio desde o início do ataque em grande escala dos Estados Unidos e de Israel contra o Irão, no sábado.
Irão ameaça ataques sem precedentes contra Israel e EUA
YESTERDAY IRAN FIRED MISSILES AT THE UNITED STATES AND ISRAEL, AND THEY DID HURT. TODAY WE WILL HIT THEM WITH A FORCE THAT THEY HAVE NEVER EXPERIENCED BEFORE.
— Ali Larijani | علی لاریجانی (@alilarijani_ir) March 1, 2026
"ONTEM, O IRÃO DISPAROU MÍSSEIS CONTRA OS ESTADOS UNIDOS E ISRAEL, E CAUSARAM DANOS. HOJE, ATACAREMO-LOS COM UMA FORÇA QUE NUNCA CONHECERAM", disse Larijani numa mensagem publicada no X, utilizando o estilo de escrita em maiúsculas preferido por Donald Trump na sua rede social Truth Social.
Vingar a morte de Khamenei é um "direito e dever legítimo"
Afirmou ainda que a morte desta "mais alta autoridade política da República Islâmica do Irão e de um proeminente líder do xiismo em todo o mundo" constitui uma "declaração de guerra contra os muçulmanos, e em particular contra os xiitas, em todo o mundo", num comunicado transmitido pela televisão estatal.
Morte de Khamenei. Quem poderá ser o novo líder supremo do Irão?
Após a morte de Ali Khamenei, líder supremo do Irão, aproxima-se a resposta há muito aguardada sobre quem irá suceder-lhe. O tópico, que gerou intensa especulação ao longo dos últimos anos devido à idade avançada e problemas de saúde do ayatollah, é complexo.
Esses especialistas são eleitos por sufrágio universal, mas todos os candidatos devem antes ser aprovados pelo Conselho dos Guardiães da Constituição, cujos membros são, por sua vez, eleitos pelo ayatollah em funções.
“O papel de líder supremo é, claramente, muito político, assim como a escolha da próxima pessoa a ocupar o cargo”, explicou o historiador Jonathan Piron numa entrevista à France 24 em 2022.
Desde a criação da República Islâmica do Irão, em 1979, o cargo de líder supremo teve apenas uma transição de poder, que ocorreu após a morte de Ruhollah Khomeini em 1989. Khomeini tinha nomeado um sucessor, o ayatollah Hossein Ali Montazeri, mas mudou de ideias ao último minuto depois de este ter criticado duramente o líder por autorizar a execução sumária de cerca de cinco mil presos políticos em 1988, no final da guerra entre Irão e Iraque.
Montazeri foi demitido e posteriormente colocado em prisão domiciliária. Nenhum novo sucessor foi nomeado até Khomeini morrer e a Assembleia de Peritos ter escolhido Ali Khamenei. Agora, mantém-se a incógnita sobre o próximo ocupante do cargo. Mojtaba, o filho
O filho de Ali Khamenei tem ocupado um papel central no Beit, nome dado ao gabinete do líder supremo. Este gabinete é constituído por conselheiros do ayatollah e funciona como uma instituição paralela ao Governo iraniano, possuindo a sua própria administração e validando decisões para que estejam de acordo com a vontade do líder.
“As ações do Beit são pouco transparentes e baseiam-se em jogos de poder”, referiu Jonathan Piron à France 24. “Mojtaba Khamenei nunca foi eleito. Foi nomeado para o cargo pelo seu pai, que quis rodear-se de pessoas leais. Os críticos consideram-no uma figura corrupta que beneficia da sua posição no gabinete do líder supremo apenas por ser seu filho”.
Mojtaba é, assim, olhado com desagrado por parte da população iraniana, até porque está envolvido com frequência com a Basij, milícia paramilitar que trabalha para o líder supremo e que tem sido responsável pela repressão de estudantes quando estes se manifestam e de mulheres quando estas usam incorretamente o véu islâmico.
Foi em 2009 que o nome de Mojtaba passou a ser mais conhecido, quando se viu associado a acusações de fraude eleitoral por alegadamente ter orquestrado a vitória do então presidente iraniano Mahmoud Ahmadinejad. Foi também acusado de reprimir os protestos da população após essas eleições.
Para além do laço familiar, Mojtaba é próximo dos líderes da Guarda Revolucionária Iraniana e conhecedor das redes financeiras controladas pelo pai.
Arafi, Mirbagheri e Hassan Khomeini
Atualmente, atua como vice-presidente da Assembleia de Peritos e é membro do poderoso Conselho dos Guardiães. É também chefe do sistema de seminários do Irão.
De acordo com Alex Vatanka, especialista da organização sem fins lucrativos Instituto do Médio Oriente, o facto de Khamenei ter nomeado Arafi para cargos superiores e estrategicamente sensíveis revela que tinha “muita confiança nas suas habilidades burocráticas”.
Outro possível sucessor é Mohammad Mehdi Mirbagheri, clérigo e membro da Assembleia de Peritos, representando a ala mais conservadora do clero.
Recentemente justificou o elevado número de mortes na ofensiva israelita em Gaza, afirmando que mesmo a morte de metade da população mundial “vale a pena” se permitir uma aproximação a deus.
De acordo com o IranWire, um órgão de comunicação ativista, Mirbagheri opõe-se veementemente ao Ocidente e acredita que um conflito entre crentes e infiéis é inevitável. Atualmente, lidera a Academia de Ciências Islâmicas na cidade sagrada de Qom, no norte do país.
O Governo da República Islâmica do Irão ramifica-se em duas partes. A primeira, que representa a soberania do povo, é comandada por um presidente, que atua como chefe de Estado, de um Parlamento encarregue de criar e debater leis e de um sistema judicial que interpreta e pode vetar essas leis.
A segunda parte representa a soberania de deus, representada por uma única figura: a do líder supremo, ou faqih. O conceito de faqih foi criado pelo homem que primeiro reivindicou o cargo para si: o ayatollah (líder religioso) Ruhollah Khomeini.
É o líder supremo quem tem a última palavra sobre todas as decisões políticas no Irão. O seu cargo sobrepõe-se ao de presidente do país. Um ayatollah é alguém que escolhe dedicar a vida ao estudo da religião islâmica e é capaz de interpretar os textos sagrados do Islão. Um ayatollah pode tornar-se mujtahid se alcançar determinado nível nesse estudo e, a partir daí, passa a poder dar opinião sobre a fé islâmica.
O faqih, que possui o monopólio absoluto sobre o poder do Estado, é quem nomeia o chefe do sistema judiciário e tem o poder de demitir o presidente e de vetar qualquer lei aprovada pelo Parlamento. É também o comandante oficial do Exército e o responsável por institucionalizar o controlo religioso de todos os aspetos do Governo.
O líder supremo elege também metade dos membros do Conselho dos Guardiães. Este órgão, composto por 12 homens, controla a política iraniana ao examinar candidatos a cargos legislativos, incluindo para a Assembleia de Especialistas, a Presidência e o Parlamento.
O conceito de faqih, relativamente recente, veio alterar o modo de governação no Irão. Até 1979, o xiismo ditava que a religião não deveria interferir com os assuntos do Governo, dado que qualquer forma de exercício político era vista como ilegítima por usurpar a autoridade divina, e por essa razão os religiosos adotavam o silêncio em relação a esse tema.
Em 1979, porém, dá-se a terceira revolução no Irão e o xiismo saiu das mesquitas para entrar no Governo. Esta mudança foi, essencialmente, da responsabilidade de Khomeini, que interpretou de forma inédita a doutrina xiita.
Segundo Khomeini, na ausência do Mahdi – figura messiânica que os islâmicos acreditam que virá à Terra para restaurar a verdadeira religião – o poder político deve ficar nas mãos dos seus representantes, ou seja, os religiosos. Khomeini chamou a esta teoria Valayat-e Faqih.
Uma teoria “herege”
Esta radical mudança no islamismo xiita foi ainda mais longe quando Khomeini sugeriu que a autoridade política não deveria caber a todos os religiosos, mas sim a um único líder supremo. E defendeu ainda que, como líder supremo, a sua autoridade deveria não só ser equivalente à do Mahdi, como à do profeta Maomé.
O autor e professor Reza Aslan relembrou, num artigo de opinião para a organização internacional Project Syndicate, que esta teoria contraria séculos da teologia islâmica. “A teoria era tão herege que foi imediatamente rejeitada por quase todos os outros ayatollahs do Irão, incluindo os superiores diretos de Khomeini”, escreveu. Ainda assim, este conseguiu o seu objetivo.
Todas estas mudanças na governação do Irão aconteceram de forma muito repentina após a Revolução de 1979, altura de crise económica e descontentamento com o xá Mohammad Reza Pahlavi, que acabou por ser derrubado.
Os religiosos xiitas conseguiram tomar o poder pois tinham os contactos, infraestruturas (mesquitas e escolas religiosas) e sistemas de poder já em vigor. Tinham também uma visão clara do que pretendiam e o apoio do ayatollah Khomeini, na altura popular pelos seus discursos. Usaram também a violência para não deixarem espaço para a oposição.
Exército iraniano avança que atacou bases norte-americanas na região do Curdistão iraquiano e no Golfo Pérsico
"Há poucos minutos, pilotos da Força Aérea da República Islâmica do Irão bombardearam com sucesso bases norte-americanas nos países do Golfo Pérsico e na região do Curdistão iraquiano, em várias fases de operações", declarou o exército iraniano num comunicado divulgado pela TV estatal.
Aeroportos do Médio Oriente continuam encerrados ou com restrições
Aeroportos de trânsito importantes, incluindo o Dubai e Abu Dhabi, nos Emirados Árabes Unidos, e Doha, no Catar, foram encerrados ou tiveram as suas operações severamente restringidas, uma vez que grande parte do espaço aéreo da região permaneceu encerrado após ataques dos EUA e de Israel ao Irão.
O Aeroporto Internacional do Dubai sofreu danos durante os ataques iranianos, e os aeroportos de Abu Dhabi e Kuwait também foram atingidos. Milhares de voos foram afetados em todo o Médio Oriente, de acordo com dados da plataforma de rastreamento de voos FlightAware.
O espaço aéreo sobre o Irão, Iraque, Kuwait, Israel, Bahrein, Emirados Árabes Unidos e Catar permaneceu praticamente vazio, como mostravam os mapas do Flightradar24 no início do domingo.
O serviço de rastreamento de voos informou que um novo "Aviso aos Aeronavegantes" (NOTAM) estendeu o encerramento do espaço aéreo iraniano até, pelo menos, a manhã de 3 de março.
Petroleiro atacado ao largo da costa de Omã
"O Centro de Segurança Marítima anunciou que o petroleiro (SKYLIGHT), que navegava sob a bandeira da República de Palau, foi alvo de um ataque a cinco milhas náuticas a norte do porto de Khasab", declarou a Autoridade Marítima Nacional (NMA).
“A tripulação de 20 pessoas, incluindo 15 indianos e cinco iranianos, foi evacuada e, segundo informações iniciais, quatro deles "sofreram ferimentos de gravidade variável", acrescentou a NMA.
Hamas lamenta morte de Khamenei e condena "crime abominável"
"Nós, no Hamas, lamentamos a morte do ayatollah Ali Khamenei", pode ler-se num comunicado. "Os Estados Unidos e o Governo de ocupação fascista (Israel) são totalmente responsáveis por esta agressão flagrante e crime hediondo contra a soberania da República Islâmica do Irão, bem como pelas suas graves repercussões para a segurança e estabilidade da região", acrescentou o documento.
Relatadas explosões perto do complexo de radiodifusão iraniano em Teerão
Israel anuncia que está a atacar "o coração de Teerão"
Nas últimas 24 horas, "a Força Aérea israelita realizou ataques em grande escala para estabelecer a superioridade aérea e abrir caminho para Teerão", acrescentou um breve comunicado militar.
Vários mortos em protesto pró-Irão em frente ao consulado dos EUA em Karachi
"Transportámos pelo menos oito corpos para hospitais civis em Karachi, enquanto outras 20 pessoas ficaram feridas no incidente no consulado", disse à AFP Muhammad Amin, porta-voz dos serviços de emergência da Fundação Edhi, acrescentando que a maioria apresentava ferimentos de bala.
Guarda da Revolução iraniana anuncia ataques contra 27 bases militares
O presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Bagher Qalibaf, designou hoje os líderes dos Estados Unidos e de Israel como "criminosos imundos", garantindo que enfrentarão "golpes devastadores" pelos seus ataques à República Islâmica, num vídeo divulgado pela televisão estatal iraniana.
Qalibaf é o funcionário de mais alto escalão na hierarquia do poder iraniano a aparecer perante as câmaras de televisão desde o início dos ataques, no sábado.
"Vocês ultrapassaram a nossa linha vermelha e terão de pagar o preço", afirmou. "Vamos desferir golpes tão devastadores que vocês mesmos serão levados a implorar".
Tailândia prepara-se para retirar cidadãos do Médio Oriente
O governo tailandês está a coordenar-se com a Força Aérea Real Tailandesa para preparar recursos aéreos para evacuar os cidadãos tailandeses, dando prioridade aos que estão no Irão, disse o primeiro-ministro aos jornalistas em Banguecoque, acrescentando que os voos fretados também estão a ser considerados.
Charnvirakul acrescentou que dezenas de milhares de trabalhadores tailandeses estão na região, citando dados do Ministério do Trabalho.
Quase 59 mil tailandeses estavam registados no escritório de emprego tailandês em Israel e mais de 11 mil no escritório de Abu Dhabi, responsável pelos Emirados Árabes Unidos, Catar, Omã e Irão, segundo o ministério.
"O Governo tailandês fará todo o possível para repatriar os cidadãos tailandeses em segurança. Se quiserem regressar, vamos trazê-los de volta", disse o primeiro-ministro.
Porto comercial de Duqm atingido por dois drones
"A Embaixada dos EUA em Omã instruiu os seus funcionários para permanecerem em casa. Recomendamos que todos os americanos em Omã façam o mesmo até novo aviso", disse a embaixada num comunicado divulgado pela agência X.
Agência Internacional de Energia Atómica convoca reunião extraordinária para segunda-feira
Segundo informou este sábado a AIEA, a "sessão especial" foi convocada pela delegação russa e terá lugar pouco antes do início da reunião ordinária de primavera do Conselho de Governadores da agência, agendada para a próxima semana.
A reunião extraordinária abordará "questões relacionadas com os ataques militares dos Estados Unidos e de Israel contra o território da República Islâmica do Irão", indicou o comunicado.
Até ao início dos ataques ao Irão na manhã de sábado, as delegações do Irão e dos Estados Unidos deveriam reunir-se na próxima semana à margem da reunião do Conselho para discutir questões técnicas relativas a um possível acordo nuclear entre as partes.
Centenas de manifestantes tentam invadir embaixada dos EUA no Iraque
Centenas de manifestantes tentaram hoje invadir a zona de alta segurança que abriga a embaixada dos Estados Unidos em Bagdade, depois da confirmação da morte do líder supremo iraniano. Ali Khamenei.
"As tentativas foram frustradas até agora, mas continuam a tentar" romper o cordão de segurança, disse uma fonte de segurança em declaraçês à AFP.
Manifestantes, alguns deles empunhando bandeiras de grupos armados pró-iranianos, atiraram pedras contra as forças de segurança, que responderam com granadas de gás lacrimogéneo, observou a agência.
A imprensa local noticiou outras manifestações em províncias do sul do Iraque.
Vários grupos armados iraquianos apoiados pelo Irão declararam no sábado que não permaneceriam "neutros" e que defenderiam a República Islâmica.
Entre eles, o poderoso grupo Kataëb Hezbollah anunciou que atacaria bases norte-americanas em resposta à morte, no sábado, de dois dos seus combatentes em ataques aéreos no sul do Iraque.
No início da manhã de domingo, fortes explosões foram ouvidas perto do aeroporto de Erbil, que acolhe tropas da coligação liderada pelos Estados Unidos na região autónoma do Curdistão iraquiano, testemunhou um jornalista da AFP, que viu uma espessa nuvem de fumo preto a subir da zona do aeroporto.
Pouco depois, um pequeno grupo pró-iraniano reivindicou ataques com drones contra soldados americanos em Erbil.
No sábado, as forças da coligação liderada pelos Estados Unidos abateram vários mísseis e drones carregados com explosivos sobre Erbil, informaram as autoridades locais.
Ataques matam Chefe do Exército e decapitam liderança militar
O chefe do Estado-Maior das Forças Armadas iranianas, Abdolrahim Moussavi, foi morto juntamente com outros generais de alta patente durante os ataques norte-americanos e israelitas contra o país, informou hoje a televisão estatal iraniana.
A televisão citou o nome de Moussavi entre os altos funcionários mortos no sábado, juntamente com o ministro da Defesa, o chefe da Guarda Revolucionária, Mohammad Pakpour, e Ali Shamkhani, conselheiro do líder supremo e secretário do Conselho de Defesa.
A emissora precisou que foram mortos "durante uma reunião do Conselho de Defesa", acrescentando que outros nomes serão anunciados posteriormente.
Entrentanto, processo de transição no Irão em consequência da morte do líder supremo Ali Khamenei terá início ainda hoje, segundo o principal responsável pela segurança do país, Ali Larijani.
"Um conselho de direção provisório será formado em breve. O Presidente, o chefe do poder judicial e um jurista do Conselho dos Guardiães assumirão a responsabilidade até a eleição do próximo líder", disse Larijani, chefe do órgão de segurança mais alto do Irão, o Conselho Supremo de Segurança Nacional, e ex-conselheiro de Ali Khamenei.
"Este conselho será criado assim que possível. Estamos a trabalhar na sua formação a partir de hoje", acrescentou, alertando contra tentativas de "divisão" entre o poder iraniano.
"Os grupos que procuram dividir o Irão devem saber que não o toleraremos", afirmou Larijani, numa entrevista transmitida pela televisão estatal, apelando aos iranianos para que se unam.
Um conselho formado pelo Presidente do Irão, Masud Pezeshkian, pelo chefe do poder judiciário, Golamhosein Mohseni Eyei, e por um jurista do Conselho dos Guardiães assumirá a liderança do país após a morte do aiatola Ali Khamanei.
Os três responsáveis assumirão o "período de transição" resultante da morte de Ali Khamanei nos ataques dos Estados Unidos e de Israel, após 36 anos no poder, informou a agência estatal iraniana, IRNA.
Processo de transição do poder após morte de Khamanei começa imediatamente
O processo de transição no Irão em consequência da morte do líder supremo Ali Khamenei terá início ainda hoje, anunciou o principal responsável pela segurança do país, Ali Larijani.
"Um conselho de direção provisório será formado em breve. O Presidente, o chefe do poder judicial e um jurista do Conselho dos Guardiães assumirão a responsabilidade até a eleição do próximo líder", disse Larijani, chefe do órgão de segurança mais alto do Irão, o Conselho Supremo de Segurança Nacional, e ex-conselheiro de Ali Khamenei.
"Este conselho será criado assim que possível. Estamos a trabalhar na sua formação a partir de hoje", acrescentou, alertando contra "tentativas de divisão" entre o poder iraniano.
Um conselho formado pelo Presidente do Irão, Masud Pezeshkian, pelo chefe do poder judiciário, Golamhosein Mohseni Eyei, e por um jurista do Conselho dos Guardiães assumirá a liderança do país após a morte do aiatola Ali Khamanei.
Os três responsáveis assumirão o "período de transição" resultante da morte de Ali Khamanei nos ataques dos Estados Unidos e de Israel, após 36 anos no poder, informou a agência estatal iraniana, IRNA.
Regime decreta 40 dias de luto e sete feriados pela morte de Ali Khamenei
O Irão decretou hoje um período de luto de 40 dias, bem como sete dias feriados, após a morte, aos 86 anos, do líder supremo da República Islâmica, Ali Khamenei, no poder desde 1989.
"Com o martírio do líder supremo, o seu caminho e a sua missão não serão perdidos nem esquecidos; pelo contrário, serão prosseguidos com mais vigor e zelo", declarou um apresentador da televisão estatal.
Os Guardas da Revolução iranianos, tropa especial do aiatola, prometeram uma "punição severa" aos "assassinos" do líder supremo, cuja morte foi confirmada anteriormente pela televisão estatal.
Num comunicado, os Guardas condenaram "os atos criminosos e terroristas cometidos pelos governos maléficos dos Estados Unidos e do regime sionista", acrescentando: "a mão vingativa da nação iraniana não os deixará em paz até infligir aos assassinos do imã da Oumma um castigo severo e decisivo do qual eles arrependerão".
Entretanto, uma nova série de fortes detonações foi ouvida hoje em Teerão, por volta das 05:30 locais (02:00 TMG), depois de explosões anteriores terem atingido os bairros a leste da capital iraniana.
Um apresentador da televisão estatal iraniana anunciou hoje, às 05:00 locais (01:30 TMG), em lágrimas, a morte do aiatola Ali Khamenei, líder supremo da República Islâmica do Irão, que estava no poder há 36 anos.
A televisão iraniana não especificou em que circunstância Ali Khamenei faleceu aos 86 anos, nem mencionou os ataques israelitas e americanos de sábado contra a sua residência em Teerão. Fotos e imagens de arquivo são transmitidas com uma faixa preta no ecrã em sinal de luto.
O Presidente norte-americano, Donald Trump, tinha já anunciado a morte do líder supremo iraniano, dizendo que oferece à população iraniana a hipótese de recuperar o país. "Esta é a maior oportunidade para o povo iraniano recuperar o seu país", disse.
A televisão estatal confirma a morte de Ali Khamenei
Um apresentador da televisão estatal iraniana anunciou hoje, às 05:00 locais (01:30 TMG), em lágrimas, a morte do aiatola Ali Khamenei, líder supremo da República Islâmica do Irão, que estava no poder há 36 anos.
A televisão iraniana não especificou em que circunstância Ali Khamenei faleceu aos 86 anos, nem mencionou os ataques israelitas e americanos de sábado contra a sua residência em Teerão. Fotos e imagens de arquivo são transmitidas com uma faixa preta no ecrã em sinal de luto.
O Presidente norte-americano, Donald Trump, tinha já anunciado a morte do líder supremo iraniano, dizendo que oferece à população iraniana a "maior chance" de "recuperar" o país.
A televisão estatal iraniana e a agência de notícias estatal IRNA não informaram a causa da morte do líder de 86 anos. A morte coloca em dúvida o futuro da República Islâmica e aumenta o risco de instabilidade regional.
"Khamenei, uma das pessoas mais maléficas da história, está morto", escreveu Trump numa publicação nas redes sociais, alertando para a continuação de "bombardeamentos pesados e precisos" ao longo da semana e mesmo além, no quadro de um ataque que os EUA justificam como necessário para incapacitar as capacidades nucleares do país.
O ataque deste sábado abriu um novo capítulo na intervenção dos Estados Unidos no Irão, e traz consigo o potencial para violência retaliatória e uma guerra mais ampla, representando uma demonstração surpreendente de um Presidente norte-americano que assumiu o cargo com uma plataforma a que chamou "America First" e prometeu manter-se fora de "guerras eternas".
Se confirmada, a morte de Khamenei no segundo ataque da Administração Trump ao Irão em oito meses cria um vácuo de liderança, dada a ausência de um sucessor do aiatola conhecido e porque o líder supremo de 86 anos teve a palavra final em todas as principais políticas durante décadas no poder.
Khamenei liderava o `establishment` clerical do Irão e a sua Guarda Revolucionária paramilitar, os dois principais centros de poder na teocracia governante.
À medida que surgiram notícias sobre a morte do líder religioso, testemunhas oculares em Teerão disseram à Associated Press que alguns residentes estavam a comemorar, a apitar e a gritar.
O Irão, que respondeu aos ataques com o seu próprio contra-ataque, advertiu para a retaliação.
Ali Larijani, secretário do Conselho de Segurança Nacional do Irão, disse no sábado que Israel e os Estados Unidos "se arrependerão das suas ações".
"Os bravos soldados e a grande nação do Irão darão uma lição inesquecível aos opressores internacionais infernais", publicou Larijani na rede social X.
A operação conjunta dos Estados Unidos e de Israel, que segundo autoridades foi planeada durante meses, ocorreu este sábado, durante o mês sagrado muçulmano do Ramadão e no início da semana de trabalho iraniana, e seguiu-se a negociações e advertências de Trump, que no ano passado alardeou o sucesso do seu governo na incapacitação do programa nuclear do país.
Cerca de 12 horas após o início dos ataques, as forças armadas dos EUA informaram que não houve vítimas norte-americanas e que os danos nas bases dos EUA foram mínimos, apesar das "centenas de ataques com mísseis e drones iranianos".
Segundo as forças norte-americanas, os alvos no Irão incluíram instalações de comando da Guarda Revolucionária, sistemas de defesa aérea, locais de lançamento de mísseis e drones e aeródromos militares.
Por seu lado, Israel afirmou ter matado o comandante da Guarda Revolucionária e o ministro da Defesa do país, bem como o secretário do Conselho de Segurança iraniano, um conselheiro próximo de Khamenei.
Khamenei "não conseguiu escapar aos nossos sistemas de inteligência e rastreamento altamente sofisticados e, trabalhando em estreita colaboração com Israel, não havia nada que ele, ou os outros líderes que foram mortos com ele, pudessem fazer", afirmou Trump. "Esta é a maior oportunidade para o povo iraniano recuperar o seu país", disse.
Um diplomata iraniano disse no Conselho de Segurança das Nações Unidas que centenas de civis foram mortos e feridos nos ataques. O Irão retaliou disparando mísseis e drones contra Israel e bases militares dos EUA na região, e os combates continuam durante a noite.
Alguns dos primeiros ataques ao Irão parecem ter atingido as proximidades dos escritórios de Khamenei, o segundo líder da República Islâmica que sucedeu ao aiatola Ruhollah Khomeini, líder da Revolução Islâmica de 1979.
As autoridades israelitas confirmaram a morte de Khamenei, depois do anúncio de Trump.
Os democratas norte-americanos criticaram o facto de Trump ter tomado medidas sem autorização do Congresso, mas a porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, disse que a Administração informou antecipadamente vários líderes republicanos e democratas no Congresso.
Quem era Ali Khamenei, líder supremo do Irão
A morte do ayatollah Ali Khamenei, líder supremo do Irão, foi anunciada a 28 de fevereiro de 2026, horas depois do início de uma operação militar israelo-americana contra o Irão. Estava no cargo desde 1989 e era apenas o segundo homem a ocupá-lo desde a criação da República Islâmica do Irão. Visto por muitos como o símbolo da consolidação do regime após a guerra entre Irão e Iraque, era condenado por grande parte da sociedade civil por refletir uma doutrina religiosa considerada extremista.
Um dos objetivos da ação militar de Washington e Telavive, lançada a 28 de fevereiro de 2026, era, precisamente, atingir a cúpula dirigente de Teerão, abrindo caminho ao derrube do regime dos clérigos xiitas, no poder desde a Revolução Iraniana de 1979.
O líder iraniano ia completar 87 anos no próximo dia 19 de abril. Era o segundo Líder Supremo da República Islâmica do Irão desde a chegada ao poder dos ayatollahs, cargo que ocupava desde 1989.
Nos últimos anos, a sua saúde frágil levantou a hipótese de renúncia ao cargo, algo que nunca se concretizou.
Problemas de saúde
Em 2014, foi operado com sucesso na sequência de um cancro na próstata.
Estava no cargo desde 1989, tendo sucedido ao ayatollah Ruhollah Khomeini – que estabeleceu a República Islâmica do Irão depois da revolução de 1979 - quando este faleceu.
Ao longo das mais de três décadas no poder, Ali Hosseini Khamenei liderou a política iraniana e as forças armadas do país com mão de ferro, pondo fim a quaisquer ameaças ao seu poder, muitas vezes de forma violenta.
Também a nível de assuntos externos o líder demonstrou posições firmes, mantendo um prolongado confronto com os Estados Unidos.
Khamenei nasceu em 1939 na cidade iraniana de Meshed e estudou em seminários na sua cidade natal antes de se mudar para a cidade sagrada xiita de Qom, a cerca de 150 quilómetros da capital.
Aos 23 anos juntou-se ao movimento religioso da oposição liderado pelo ayatollah Ruhollah Khomeini contra o xá (título dado aos monarcas) então em funções, Mohammad Reza Pahlavi – que acabou derrubado pela Revolução Islâmica, em 1979.
Ainda jovem, Khamenei tornou-se um devoto seguidor de Khomeini, chegando mais tarde a dizer que tudo aquilo que fez e em que acreditava se devia à visão deste último sobre o islamismo.
De presidente a líder supremo
Khamenei esteve ativamente envolvido em protestos contra o xá Reza Pahlavi e chegou mesmo a estar preso em várias ocasiões. Após a revolução de 1979, serviu no Conselho da Revolução Islâmica, grupo conservador formado pelo ayatollah Khomeini para governar do lado do Governo interino.
Mais tarde, Khamenei tornou-se vice-ministro da Defesa e ajudou a fundar o Exército de Guardiães da Revolução Islâmica, divisão das Forças Armadas do Irão que assegura a segurança nacional e que se tornou uma das mais poderosas instituições do país.
Em 1981 ficou gravemente ferido e com um braço paralisado num ataque bombista numa mesquita em Teerão, cuja autoria foi atribuída a um grupo rebelde de esquerda.
Dois meses depois, o mesmo grupo foi acusado de assassinar o presidente do Irão, Mohammad-Ali Rajai, e Ali Khamenei foi o escolhido para a sucessão, ficando no cargo durante oito anos. Ao longo desse período, teve várias divergências com o primeiro-ministro Mir Hossein Mousavi por considerar que este trazia demasiadas reformas ao país. Khamenei foi eleito líder supremo pela Assembleia de Peritos, grupo composto por 88 académicos responsáveis por várias das questões de liderança da República Islâmica.
Foi em 1989, após a morte de Ruhollah Khomeini, que Ali Khamenei deixou o cargo de presidente para se tornar o novo líder supremo – apesar de, nessa altura, ainda não ter atingido os títulos de “marja-e taqlid” e “grand ayatollah”, como prevê a Constituição estabelecida pelos religiosos xiitas.
Para contornar a situação, acrescentou-se à Constituição uma emenda segundo a qual o líder supremo apenas teria de possuir “escolaridade islâmica”. Além disso, foi atribuído da noite para o dia o título de ayatollah a Ali Khamenei, que até então era apenas “hujjat al-Islam”, título honorífico com menor peso.
Na altura, a Constituição iraniana foi também alterada para abolir o cargo de primeiro-ministro e para conceder maior poder ao presidente.
Os desafios e as críticas
Vários dos presidentes que serviram o país sob a liderança de Khamenei vieram a desafiar a sua autoridade. Mohammad Khatami, que esteve no cargo entre 1997 e 2005, tentou diminuir as hostilidades com o Ocidente e procurou mais liberdades políticas e sociais no Irão. A maioria das suas tentativas de reformas foi, porém, bloqueada pelo ayatollah.
Já o sucessor, Mahmoud Ahmadinejad, era visto como protegido de Khamenei. Ainda assim, este presidente enfrentou duras críticas à sua governação, nomeadamente no campo económico e dos negócios estrangeiros.
Ao ser reeleito em 2009, Ahmadinejad foi alvo dos maiores protestos no Irão desde a revolução de 1979. Khamenei insistiu que os resultados eleitorais eram válidos e ordenou o fim das manifestações, que terminaram com dezenas de apoiantes da oposição mortos e milhares de detidos.
Ahmadinejad acabou por sair do cargo depois de alegadamente ter tentado aumentar os seus próprios poderes, originando um desentendimento com o líder supremo.
Em 2013 foi a vez de Hassan Rouhani chegar à presidência. Durante o mandato, conseguiu negociar um inédito acordo nuclear que recebeu a aprovação do ayatollah. No entanto, o líder supremo resistiu aos esforços do presidente para aumentar as liberdades civis no Irão e para criar reformas na economia.
A ausência de medidas que aliviassem a crise económica da população – que piorou depois de, em 2018, Donald Trump ter retirado unilateralmente os Estados Unidos do acordo nuclear e aplicado novas sanções ao Irão – desencadeou protestos em massa em novembro de 2019.
Nesses mesmos protestos, chegou a cantar-se “morte ao ditador”, numa referência a Ali Khamenei. Como resultado, as forças de segurança terminaram violentamente com as demonstrações, causando a morte de 1.500 pessoas, segundo um relatório da agência Reuters – número negado pelas autoridades iranianas.
Polémicas e relação com o Ocidente
O líder supremo é quem tem a última palavra sobre todos os assuntos dos Negócios Estrangeiros. E o ayatollah Ali Khamenei demonstrou, ao longo dos anos, desconfiança nas relações com o Ocidente, em particular com os Estados Unidos. Já em 1981, quando era ainda presidente do Irão, Khamenei prometeu pôr fim ao “desvio, liberalismo e aos esquerdistas influenciados pelos americanos”.
Em 2015, apesar de não se ter oposto ao acordo nuclear assinado com os EUA, China, França, Reino Unido, Rússia e Alemanha, o ayatollah não escondeu as críticas ao presidente Hassan Rouhani por ter negociado o acordo com a expectativa de que os Estados Unidos cumprissem com a sua palavra.
Três anos depois, quando Donald Trump abandonou o acordo nuclear e renovou as sanções ao Irão, Khamenei avisou o então presidente norte-americano de que estava a cometer um erro e reafirmou a falta de confiança na América.
Em 2020, quando os Estados Unidos mataram o general iraniano Qasem Soleimani num ataque com drones no Iraque, o ayatollah – que era seu aliado – prometeu “uma severa vingança”. Mais tarde, o Irão levou a cabo dois ataques com mísseis balísticos a bases iraquianas que abrigavam militares norte-americanos.
Mas as polémicas nas relações estrangeiras não ficaram por aí. O líder supremo pediu repetidamente a eliminação do Estado de Israel, chegando a descrever, em 2018, esse país como um “tumor canceroso” que deveria desaparecer.
Khamenei questionou também a veracidade do holocausto. Em 2014, escreveu no Twitter que “o holocausto é um evento cuja realidade é incerta e, se aconteceu, não é certo de que forma aconteceu”.
Abate de avião, covid-19 e protestos contra o regime
Para além destes episódios, em 2020 Ali Khamenei viu-se perante duas grandes crises. A primeira ocorreu quando a Guarda Revolucionária Iraniana abateu acidentalmente um avião da companhia Ukraine International Airlines enquanto este sobrevoava os arredores de Teerão, matando todas as 176 pessoas a bordo – muitas delas de nacionalidade iraniana.
A tentativa do Governo de omitir o erro originou fortes protestos, com muitos a exigirem demissões. Na altura, as forças de segurança foram acusadas de usar munições para dispersar os manifestantes.
Um mês depois, em fevereiro, o Irão viu-se afetado pela pandemia de covid-19 e o ayatollah, à semelhança de outros líderes internacionais, tentou descredibilizar a gravidade da doença. Mais uma vez, a atitude mereceu condenação pelo povo.
Mais tarde, em setembro de 2022, o Irão foi alvo dos maiores protestos desde a Revolução Islâmica, deixando o regime numa das mais profundas crises em três décadas. As manifestações foram originadas pela morte de uma jovem curda iraniana de 22 anos, Mahsa Amini, depois de esta ter sido presa pela “polícia da moralidade” por alegadamente usar de forma errada o hijab (véu islâmico).
Os protestos foram marcados por confrontos entre a população e as autoridades, resultando na detenção e morte de centenas de pessoas, de acordo com várias organizações não-governamentais.
Em novembro desse ano, Ali Khamenei associou os protestos às forças ocidentais, considerando que o “inimigo” tenta constantemente “retirar ao povo e à juventude a esperança” nos progressos alcançados pelo Irão.
“Aqueles que orquestram os motins nos bastidores querem levar as pessoas para as ruas e estão a tentar desgastar as autoridades através de ações vis”, chegou a acusar o ayatollah, referindo-se à violência dos protestos.
Na altura, vários iranianos foram executados após decisões de julgamentos sumários relacionados com os protestos provocadas pela morte Mahsa Amini.
Celebrações em cidades iranianas com notícia da morte de Khamenei
"Ali Khamenei, uma das pessoas mais perversas da história, está morto", anunciou Trump na sua rede social Truth Social, a partir da sua luxuosa residência na Florida, onde supervisiona a campanha militar que está a mudar a face do Médio Oriente.
"Foi incapaz de escapar à nossa inteligência e aos nossos sofisticados sistemas de rastreio e, em estreita cooperação com Israel, nada pôde fazer, tal como os líderes mortos como ele", escreveu o líder republicano.
A campanha de bombardeamentos vai continuar "durante toda a semana", acrescentou o presidente norte-americano, acreditando que o povo iraniano tem a sua "maior hipótese" de "retomar" o controlo do país.
O primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, já tinha declarado que existiam "numerosos indícios" de que Ali Khamenei tinha sido morto num ataque ao seu complexo.
Reza Pahlevi. Morte de Khamenei relega República Islâmica do Irão "para o lixo"
My fellow compatriots,
— Reza Pahlavi (@PahlaviReza) February 28, 2026
Ali Khamenei, the bloodthirsty despot of our time, the murderer of tens of thousands of Iran’s bravest sons and daughters, has been erased from the face of history. With his death, the Islamic Republic has in effect reached its end and will very soon be… https://t.co/pm3ZXY9IYZ